PEDRA BONITA A MONTANHA AMEAÇADA
Com cerca de 15 hectares de capim, a Pedra Bonita é uma grande mancha aberta ao perigo constante de incêndios, justamente dentro das áreas do Parque Nacional da Tijuca onde a Mata Atlântica encontra-se em maior exuberância. Por estar bastante isolada destas outras áreas, não chega a oferecer perigo ao restante do Parque. Mas e a montanha, como é que fica? Sempre em perigo, e a cada novo incêndio, um pouco da mata que já existe vai-se embora.
Por este motivo, o Terra Brasil fez da necessidade urgente do reflorestamento da Pedra Bonita, sua principal bandeira. Não importa se não há comunidades ameaçadas pelo fogo ou por desmoronamentos causados pela constante erosão nos capinzais. O Parque esta ameaçado, como um todo. Uma área importante do Parque perde cada vez mais sua beleza e sua biodiversidade. O reflorestamto da montanha é uma excelente oportunidade de juntar várias atividades que o transformarão num acontecimento de muita importância para a cidade.
Dispersão de sementes
Nesta estação, observamos muitas folhas caídas e junto delas várias sementes que exibem formas aerodinâmicas como asas, bumerangues, hélices, pára-quedas e etc...
Essas sementes se utilizam da energia dos ventos vindos do sudoeste que nesta época sopram de forma violenta para disseminá-las. Entre elas encontramos: bromélias, orquídeas, leguminosas como o jacarandá, jacaré, araribá; outras como jequitibá, ipê, cedro, painera, cambará, assa-peixe, timbó e muitas outras. Em geral todas as sementes que voam, frutificam nesta época, esperando uma chance que permita seu nascimento num local mais distante.
É também a estação da seca (dos tufões e furacões no Hemisfério Norte; das monções na Índia), onde as plantas para diminuírem a superfície de evaporação, soltam grande quantidade de folhas, depositando-as junto ao solo para que este se mantenha úmido nas suas raízes. As árvores engrossam seus troncos, que mostram fissuras, assim como suas raízes.
A vegetação seca, especialmente o capim, provoca grandes incêndios em todo o país e em especial na região do cerrado, onde duram dez e até mais dias, dizimando plantas e animais, dos que sobrevivem muitos morrem de fome mais tarde.
O capim colonião (por ser revestido de cera que quando seco torna-se inflamável) é o grande vilão nessa história, logicamente por méritos do homem, que ateia fogo na "limpeza" das roças e dos pastos, ou por puro prazer.
Os índios Caiapós e Xavantes entre outros também se utilizavam deste recurso na preparação das suas culturas (coivara), ou como estratégia de combate. O nome Caiapó, quer dizer, caiá - atear fogo e pó - mão; ou seja na tradução direta, incendiário.
São nesses espaços vazios gerados pelos incêndios, que as sementes que voam, também chamadas "anemocóricas", encontram a sua eficiência e utilidade na reprodução vegetal em áreas devastadas, mas por outro lado, são ineficientes para cobrir os estragos feitos pelo homem com suas atitudes impensadas e desastrosas.
Erico Dalmau