Sementes
Propagação da Vida




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SEMENTES - PROPAGAÇÃO DA VIDA

A missão do Parque Nacional da Tijuca é preservar uma amostra significativa de floresta do Ecossistema Mata Atlântica texto. Para isso vem expor a seus visitantes um elemento significativo do patrimônio natural - AS SEMENTES - dando-lhes condições de refletir sobre a importância destas para a manutenção das florestas e qualidade de vida da população da Cidade do Rio de Janeiro.

A definição botânica de semente é a parte do fruto que contém o embrião no estado de vida latente e que provém do desenvolvimento do óvulo (vegetal) após a fecundação.

Quando uma planta atinge a idade adulta está pronta para a reprodução. A primeira etapa, a floração, é o amadurecimento dos órgãos reprodutores. A idade, a época e a quantidade de flores variam de espécie para espécie ou mesmo dentro de uma mesma espécie.

As sementes são como "bebês compactos", organismos jovens embalados para viagem, pequenos o suficiente para facilitar o transporte e envoltos em camadas protetoras para evitar acidentes durante a propagação.

Para que servem as sementes? As sementes servem para propagar vidas. Encontramos sementes em quase todos os tipos de alimentos; servem também para garantir a riqueza econômica de um país. São ainda elementos fundamentais na recomposição de áreas degradadas.

A maioria das espécies nativas reproduzem-se por sementes que devem ser plantadas logo que colhidas. Muitas delas necessitam de preparo e tratamento especial antes da semeadura para aumentarem sua germinação, como é o caso das que precisam ser escarificadas (arranhadas) para facilitar a absorção de água. Outras contém substâncias inibidoras da germinação que devem ser removidas para promover sua germinação.

As sementes estão contidas em frutos dos mais variados tipos e geralmente devem ser retiradas para serem semeadas. Em muitos casos, entretanto, podem ser usados os próprios frutos inteiros para a semeadura como se fossem sementes.

Existem algumas muito pequenas que chegam a totalizar mais de 6 milhões de unidades por quilograma (figueiras), e outras muito grandes podendo pesar mais de um quilo.

As espécies em exposição são encontradas nesta Unidade de Conservação e constituem uma mostra significativa das riquezas naturais que são conduzidas nas asas do vento, no correr dos rios, no plainar dos beija-flores, no vôo das aves e no trajeto silencioso dos demais dispersores.

POLINIZAÇÃO

A polinização é a fecundação da flor que ocorre quando o pólen, gameta masculino, atinge o estigma, órgão reprodutivo feminino. O pólen pode vir da mesma flor, da mesma planta ou de outra planta da mesma espécie.

Cada espécie tem um agente polinizador específico, como o vento, a chuva e os animais. As flores são adaptadas para cada tipo de polinizador.

As polinizadas pelo vento possuem as estruturas reprodutivas mais expostas com pétalas menores ou ausentes, para facilitar o transporte do pólen.

As polinizadas por animais trazem atrativos extras como odores, cores e néctar para atrair os polinizadores. Estas últimas têm maior importância, pois promovem a interação da flor e da fauna, parceria que garante a sustentabilidade do ecossistema.

Os insetos são os polinizadores da maioria das espécies. As abelhas polinizam flores com odores fortes, cores vivas e que produzem néctar, como é o caso do assa-peixe. As borboletas e as mariposas também se destacam entre os insetos polinizadores. E ainda com grande importância na polinização, há os morcegos, gambás, macacos, cutia, caxinguelê e aves, principalmente os beija-flores.

A DISPERSÃO DE SEMENTES

As plantas terrestres são organismos que passam a maior parte de seu ciclo de vida fixos ao solo. Enfrentam, portanto, os seguintes problemas:

* como encontrar um parceiro ideal para sua reprodução?
* como mandar a prole para longe da planta-mãe, evitando assim problemas de competição entre indivíduos?

Uma vez que as plantas não podem se deslocar, elas utilizam a ajuda de agentes externos:

* agentes polinizadores fazem o transporte de genes, sob a forma de pólen;
* agentes dispersores levam as sementes para longe da planta mãe, que podem germinar em outro local, facilitando inclusive o reflorestamento.

Diversos são os agentes que podem contribuir para que as sementes se afastem da planta-mãe. A dispersão ocorre através do vento, gravidade e pela ação dos animais.

Dentre os animais, os principais agentes dispersores de sementes são os vertebrados, onde se destacam as aves e os morcegos, embora outros grupos também possam exercer esta função: mamíferos, roedores, peixes, anfíbios e lagartos. Entre os invertebrados, a formiga tem um papel importante.

As aves como dispersoras de sementes

As aves apresentam várias vantagens como agentes dispersores; são animais de volume corpóreo relativamente grande; têm facilidade de deslocamento e um raio de ação com os quais praticamente nenhum outro animal pode rivalizar, exceção feita, talvez, aos morcegos.

Nas florestas tropicais, aves e morcegos podem ser considerados os grandes responsáveis pela movimentação de sementes de frutos.

Os animais na recomposição ambiental e manutenção da biodiversidade

Os animais desempenham um papel importantíssimo na recomposição de áreas degradadas e também são vitais para a manutenção das florestas. Quando estes depositam sementes de espécies pioneiras em áreas abertas criadas pelo homem, estão contribuindo para a recomposição ambiental. Outro papel importante que exercem é a manutenção da vida das florestas, pois uma floresta sem animais não poderá sobreviver, uma vez que existe uma interação muito grande entre planta e animal, contribuindo para aumentar a biodiversidade.

FENOLOGIA DAS ESPÉCIES

- Paineira - Chorisia speciosa ( Bombacaceae)
Floração - dezembro a abril
Frutificação - agosto a setembro

- Cacto - Opuntia brasiliensis (Cactaceae)
Floração - setembro a novembro
Frutificação - maio a outubro

- Mulungú - Erythrina speciosa (Leguminosa Papilionoidea)
Floração - julho a setembro
Frutificação - final de setembro e outubro

- Jacarandá da Bahia - Dalbergia nigra (Leguminoseae Papilionoideae)
Floração - setembro a novembro
Frutificação - agosto a setembro

- Café-do-mato - Metternichia princeps (Solanaceae)
Floração - abril a setembro
Frutificação - junho a setembro

- Pau-brasil - Caesalpinia echinata (Laguminoseae Caesalpinoideae)
Floração - setembro e outubro
Frutificação - novembro a janeiro

- Unha de vaca - Bauhinia fortificata (Leguminoseae Caesalpinoideae)
Flora
Frutificação - julho e agosto

- Carrapeta - Guarea guidonea (Meliaceae)
Floração - dezembro a março
Frutificação

- Pitanga - Eugenia uniflora (Mirtaceae)
Floração - agosto a novembro
Frutificação - outubro a janeiro

- Maçaranduba da praia - Syderoxylum obtusifolium (Sapotaceae)
Floração - outubro e novembro
Frutificação - janeiro e fevereiro

- Tamanqueiro - Aegiphila sellowiana (Verbenaceae)
Floração - dezembro e janeiro
Frutificação - fevereiro a abril

- Tarumã-branco - Citharexilon myrianthum (Verbenaceae)
Floração - outubro a dezembro
Frutificação - janeiro a março

- Jequitibá-vermelho - Cariniana legalis (Lecythidaceae)
Floração - dezembro a fevereiro
Frutificação - agosto a setembro

- Jatobá - Hymenaea coubaril (Leguminoseae Caesalpinifolia)
Floração - outubro a dezembro
Frutificação - a partir de julho

- Ipê roxo - Tabebuia heptaphyla ( Bignoniaceae)
Floração - julho a setembro
Frutificação - setembro e outubro

- Ipê amarelo - Tabebuia chrysostricha
Floração - agosto e setembro
Frutificação - setembro e outubro

- Quaresmeira - Tibouchina granulosa (Melastomataceae)
Floração - junho a agosto e dezembro a março
Frutificação - junho a agosto e abril a maio

- Peroba rosa - Aspidosperma polyneuron (Apocynaceae)
Floração - outubro e novembro
Frutificação - agosto e setembro


APOIO INSTITUCIONAL: Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Meio Ambiente - SMAC, projeto Tom da Mata

Ana Cristina P. Vieira
Coordenadora de Patrimônio Cultural
Parque Nacional da Tijuca
Março de 2003