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O Resgate de seu Patrimônio Cultural (2)

Museu Sítio Arqueológico do 1º Ciclo do Café
Ana Cristina P. Vieira - Coordenadora da Área Cultural do PNT / IBAMA


O Museu Sítio Arqueológico do 1º Ciclo do Café será instalado na Floresta da Tijuca - setor A do Parque Nacional da Tijuca, num sítio arqueológico no qual se insere a Fazenda Luís Fernandes, antiga Fazenda do Visconde de Asseca, também cognominado "O Casarão", construção assobradada, do século XVIII.

Contemplará basicamente o acervo encontrado nos 116 sítios arqueológicos existentes no Parque Nacional da Tijuca e terá como função precípua resgatar a história de todos os ocupantes da área que hoje constitui o PNT, desde os índios, proprietários rurais brasileiros e estrangeiros, quilombolas e demais grupos que o habitaram, nos períodos colonial, monárquico e republicano, até dias recentes, enfatizando, primordialmente, o período de exploração do café e o reflorestamento.

Tendo em vista a maior parte do acervo arqueológico advir do século XIX e a grande importância político-econômica do Ciclo do Café, este período será enfatizado não apenas na exposição principal, como também em exposição específica localizada em prédio anexo.

A residência senhorial na qual se pretende instalar o museu encontra-se em péssimo estado de conservação, em virtude, principalmente, das chuvas torrenciais ocorridas em fevereiro de 1996. Como fruto desta torrente de água, seu fluxo fez desenterrar ruínas de antigo muro de contenção existente em frente à Fazenda. Vestígios arqueológicos trouxeram pois, um pouco mais do passado à tona.

Dado ao seu caráter de relevante interesse histórico cultural e a possibilidade de desabamento da edificação, este projeto visará a recuperação de suas instalações e estruturas, bem como do seu entorno, por meio de obras e tratamento paisagístico, visando recuperar a área e a construção de dois prédios anexos, para que nelas possa ser instalado o Museu Sítio Arqueológico.

Este trabalho contará com um projeto de adequação do espaço físico ao uso museológico e um programa de pesquisa e manejo do sítio arqueológico, a ser realizado pelos pesquisadores do Departamento de Arqueologia do Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

No que tange à instalação do Museu, faz-se mister frisar que, seu entorno será realçado como sítio arqueológico, sendo utilizado concomitantemente para o trabalho técnico e científico de pesquisa arqueológica, educação e visitação pública orientada, de acordo com os padrões internacionais para visitação em sítios desta natureza.

O Museu abrigará salas de exposições permanentes e temporária, gabinete de restauração, sala de pesquisa, sala para administração, e, em edificações anexas: reserva técnica, espaço destinado à educação (laboratório didático, onde haverá um sítio arqueológico cenográfico, para que alunos vivenciem experiências " tipo descoberta" do acervo) e arqueologia ambiental ( que conduzirá alunos e visitantes em visitas guiadas à ruínas próximas ao Museu), corpo técnico, quiosque multimídia, cafeteria e loja temáticas e ainda uma saleta onde os visitantes poderão ser fotografados com indumentária de época.
O museu empregará recursos museográficos modernos que servirão de veículos semióticos de interface cultural, propiciando educação e interatividade entre público, acervo e pesquisa.

Fotos: Ana Cristina P. Vieira