Como estão as águas do Parque
Certamente as águas do Parque Nacional da Tijuca exercem uma grande atração nos seus freqüentadores. São rios, cachoeiras, córregos e nascentes por toda a parte convidando para um banho, um gole de água refrescante ou simplesmente um pouco de contemplação ao lado de um desses recantos tão calmos e agradáveis.
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Cachoeiras, duchas e piscinas naturais espalhadas pelo Parque são irresistíveis para os frequentadores |
Mas o que nem todos sabem é que, em grande parte, as águas do Parque são captadas para a distribuição para consumo humano, como é o caso de todos os rios que nascem na Floresta da Tijuca. Por esta razão o banho é proibido dentro da Floresta. Mas em diversos outros locais o banho é permitido e existem locais famosos como as cachoeiras do Horto e as duchas das Paineiras.
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Os pontos principais para a captação de água para distribuição à população estão na Floresta da Tijuca |
Rios e nascentes tão cristalinas convidam a um gole de água ou a sua captação particular para consumo, como fazem inúmeras pessoas. Porém é preciso cuidado, pois a potabilidade destas águas tão cristalinas pode estar comprometidas em quase todos os rios, fontes e córregos do Parque.
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As fontes espalhadas pelo Parque devem ser usadas com bom senso, já que a pureza pode ser aparente |
Nem sempre percebemos que aquela água que parece pura, vem de mais além, e que pouco adiante, alguém pode estar tomando banho, lavando algo, pode haver algum detrito ou animal morto, comprometendo a pureza da água para consumo humano. É muito comum acontecer esta situação.
Mas não são apenas estas situações que comprometem a pureza da água. A presença de centenas de animais na floresta também contribui para a contaminação dos rios com suas fezes, que também podem estar contaminadas por doenças. Este é um processo natural; faz parte do ciclo de vida da floresta.
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Banhos, oferendas religiosas, animais e esgoto podem estar poluindo a água que bebemos |
Devemos estar atentos a estas situações quando precisarmos consumir a águas que nascem e circulam no Parque. Outro fator que contribui para a pureza ou não das águas são as épocas de estiagem e chuvas.
Nas estiagens, as águas ficam mais puras. Acontecendo o contrário nas chuvas, quando grandes quantidades de detritos e solos são carregados para os rios e córregos, tornando estas águas impróprias tanto para o consumo quanto para o banho.
Estas situações já foram comprovadas pela COMLURB, com a análise da água de fontes usadas para consumo em épocas de estiagem e de chuvas. A maior fonte de contaminação são os coliformes fecais de animais sadios ou doentes, que estão presentes em praticamente todos os rios, córregos e nascentes do Parque.
Vários fatores contribuem para a contaminação das águas como oferendas religiosas, lavagens de carros, esgotos clandestinos ou vazamentos nas tubulações existentes, animais exóticos nos rios e lagos, banhos, óleos de veículos que caem nas vias e acabam escorrendo para os rios, entre outros.
O consumo das águas deve obedecer ao bom senso. Quanto mais afastado dos locais mais frequentados, casas, estradas e pontos conhecidos de banho, mais chances das águas estarem mais puras. Pequenos animais, como as baratinhas, dentro dos rios indicam pureza das águas e quanto menor e com menos água tiver o córrego, também aumenta as chances de maior pureza, pois certamente não haverá pessoas tomando banho e ele estará mais perto de sua nascente.
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Um veterano frequentador da Floresta da Tijuca coleta água para consumo em uma das mais conhecidas nascentes do Parque |
Recentemente a Superintendência de Controle de Zoonoses, Vigilância e Fiscalização Sanitária do Município, através da Divisão de Engenharia Sanitária, realizou um amplo levantamento da situação das principais fontes e rios do Parque, gerando o relatório descrito abaixo:
No dia 30/04/2002, a Superintendência de Controle de Zoonoses, Vigilância e Fiscalização Sanitária, através da Divisão de Engenharia Sanitária, realizamos a inspeção, com coleta de amostras de água, nas sete fontes existentes na região das Paineiras, bairro desta Cidade.
Nesta ocasião foram coletadas amostras de água descritas na tabela abaixo, cuja referência para a identificação dos pontos foi o Hotel das Paineiras.
Fonte >> Resultado
>> Bica de PVC 200m >> Desacordo
>> Bica próximo a praça de ginástica >> Desacordo
>> Ducha natural Próximo ao Mirante (1700 m) >> Desacordo
>> Ducha natural (2200 m) >> Desacordo
>> Ducha da escada >> Desacordo
>> Ducha próxima a área de lazer (aprox. 2300 m) >> Desacordo
>> Ducha natural (aprox. 2700 m) >> Desacordo
As fontes são constantemente utilizadas para banho e consumo, pelos freqüentadores daquela região, principalmente nos finais de semana quando esta se torna área de lazer deste município.
Os resultados não satisfazem os padrões de potabilidade preconizados para água de consumo humano na Portaria MS nº 1469/90.
Em continuidade à ação realizada no dia 30 de abril na região das Paineiras, realizamos a inspeção com coleta de amostras de água em algumas fontes, mais freqüentadas pela população desta Cidade, localizadas na Vista Chinesa, Parque da Cidade, Parque Lage e Floresta da Tijuca
Nesta ocasião foram coletadas amostras de água para avaliação microbiológica, a luz da Resolução nº 20 do CONAMA, que classifica as águas para recreação, excetuando duas amostras que foram avaliadas para consumo, conforme descrito na tabela abaixo:
>> Açude (banho) - Parque Lage >> 10/06/02 >> Própria para recreação / Imprópria para consumo
>> Nascente - Parque da Cidade >> 10/06/02 >> Própria para recreação / Imprópria para consumo
>> Portão dos Macacos - Vista Chinesa >> 11/06/02 >> Própria para recreação / Imprópria para consumo
>> Estrada Dona Castorina - Vista Chinesa >> 11/06/02 >> Própria para recreação / Imprópria para consumo
>> Estrada da Vista Chinesa - 1 >> 11/06/02 >> Própria para recreação / Imprópria para consumo
>> Estrada da Vista Chinesa - 2 >> 11/06/02 >> Própria para recreação / Imprópria para consumo
>> Cachoeira 1 - Floresta da Tijuca >> 11/06/02 >> Própria para recreação / Imprópria para consumo
>> Cachoeira 2 - Floresta da Tijuca >> 11/06/02 >> Própria para recreação / Imprópria para consumo
>> Antes da Capela Mayrink - Floresta da Tijuca >> 11/06/02 >> Própria para recreação / Imprópria para consumo
>> Capela Mayrink - Floresta da Tijuca >> 11/06/02 >> Própria para recreação / Imprópria para consumo
>> Centro de Visitantes - Floresta da Tijuca >> 11/06/02 >> Própria para recreação / Imprópria para consumo
>> Lago das Fadas - Floresta da Tijuca >> 11/06/02 >> Própria para recreação / Imprópria para consumo
>> Bom Retiro - Floresta da Tijuca >> 11/06/02 >> Própria para recreação / Imprópria para consumo
>> Gruta Paulo e Virginia - Floresta da Tijuca >> 11/06/02 >> Própria para recreação / Imprópria para consumo
>> Banheiro próximo a Gruta Paulo e Virgínia >> 11/06/02 >> Própria para recreação / Imprópria para consumo
>> Açude da Solidão - Floresta da Tijuca >> 11/06/02 >> Própria para recreação / Imprópria para consumo
Ressaltamos que as informações constantes no que se refere a qualidade da água para consumo, dizem respeito aos padrões estabelecidos pela Portaria n° 1469/00 do Ministério da Saúde, que regulamenta os padrões de potabilidade de água de Consumo Humano, e que desclassifica para o consumo todas as amostras citadas.
Foi encaminhado para a administração do Parque da Cidade e da Floresta da Tijuca o procedimento de limpeza e desinfecção de água potável e de cloração desses, com os respectivos laudos n° 5269/00 e 5329/00.
Contatos: Antonio Carlos Albuquerque - Tel: 2242-3160 / 2224-2200
Célia Paes Leme E Borges - Tel: 2242-3160 / 2224-2200 (Ramal: 206)
Como podemos ver, é preciso cuidado antes consumir as águas do Parque e ter consciência de que também contribuímos para sua poluição. Nossa má atuação compromete o ecossistema que tanto procuramos para nosso lazer, pois a poluição que trazemos produz doenças entre a fauna, torna os rios e córregos impuros e com aparência desagradável.
2002