A Hipótese Gaia





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A hipótese Gaia

Deus e o Tempo, o Homem e a Terra.

A Hipótese Gaia reúne em si analogias e conceitos que muitos cientistas atuais estão considerando seriamente. Sua abordagem metafórica e precisa acerca da ecosfera Terra e do universo humano tem trazido à tona questões pouco compreendidas e cada vez mais, notamos sua valiosa contribuição na área da ecologia moderna. Não somos especialistas nesta matéria, somos apenas estudiosos e entusiastas da Hipótese Gaia; como editores temos a obrigação de fazer reverberar idéias e ideais, então, apresentaremos a seguir, explicações científicas sobre estas descobertas e dentro de um texto conceitual, mostraremos os paralelos metafóricos que ilustrarão melhor o assunto ora em voga.

“Todos sabemos que a aquisição de conhecimento não se faz sem disciplina e estudo, que exigem esforço e trabalho.”

Para começar, imaginem a Terra com um grande ser vivo, suas dimensões planetárias e sua ecodinâmica poderiam ser comparadas ao nosso corpo e sua atividade fisiológica maior: que é viver! Dentro deste aspecto, devemos notar que o centro nervoso que dá a singularidade ao homem, o raciocínio, o cérebro, sua mente e sua alma, nada mais são que energia organizada, padronizada e patenteada por um criador de renome (o Tempo, Deus, a Eternidade...). No Ser vivo Terra, esta parte coube também a Este criador, que de uma forma física e matemática organizou e desenvolveu suas características básicas, deixando-a evoluir em suas potencialidades durante muitos milhões de anos.

A Terra como Ser Vivo é uma idéia planificada pelo Cientista inglês James Lovelock. Segundo ele, “a Terra precisa ser entendida e estudada como um sistema fisiológico fechado, da mesma forma que o médico estuda a interdependência das funções orgânicas do corpo humano”. Estas idéias são A Hipótese Gaia, nome que homenageia a deusa grega Gaia (GEO em latim), personificação da terra.

Ao entendermos isso começamos a divagar e a questionar: Se a Terra é um ser vivo, como devemos compreender a Vida? Eu, você e o resto da humanidade somos parte do sistema dela. Então a raça humana é uma espécie de órgão importante? Somos hóspedes ou um resfriado passageiro?

As respostas, sempre difíceis, devem ser mais bem escrutinadas. Observe que há uma grande diferença entre sermos parte dela ou sermos meramente hóspedes em sua superfície. Se formos parte deste grande ser vivo que é a Terra, teremos que cuidar de sua saúde global e da nossa. Isto significa não poluir os ambientes terrestres nem explorar seus recursos até a exaustão, depois do que apenas nos restaria mudar. A exploração do espaço demonstra que povoar outro planeta será um empreendimento improvável e difícil. Este suposto novo éden teria que ser construído do zero e neste campo estamos apenas engatinhando...

Aceitando ou não esta hipótese Gaia, devemos refletir sempre sobre a atuação do homem sobre a Terra, uma vez que é uma questão de existência!

A Hipótese Gaia refletiu nos diversos planos da Ciência e está em discussão em contextos não estritamente biológicos, posto que tem clarificado as reflexões dos teóricos da nova Física. O estudo de sistemas biológicos naturais, do Macrocosmo e do Microcosmo tem mostrado para os não céticos que tudo é constituído por sistemas organizados em diversos níveis. Nem os filósofos que argumentavam ser da natureza humana sistematizar e engendrar o caos podem fugir ao apelo destas descobertas da física moderna. Sabemos, por exemplo, que a matéria é constituída de átomos e que estes são constituídos por partículas menores: Prótons, Nêutrons e Elétrons. Ao se combinarem, os átomos formam uma infinidade de tipos de moléculas e assim a novela da vida segue seu curso... Células em Tecidos, estes em Órgãos então em Aparelhos orgânicos diversos até formarem o indivíduo. Tudo isto cercado de incomensurável complexidade e insondáveis particularidades. Mas não para por aí, os níveis crescentes de organização dos sistemas vivos são muitos e distintos. Indivíduos de muitas espécies reúnem-se em populações que apresentam organização social e desta diversidade nascem as comunidades bióticas. As comunidades interagem com fatores abióticos da natureza e formam ecossistemas. Estes, em seu conjunto, formam a biosfera.

Estes diversos níveis de organização da Natureza não podem ser compreendidos isoladamente. Lovelock demonstrou tal assertiva observando os estudos dos colegas e dos erros cometidos pela visão míope da ciência não contemporânea.

Vejamos a atmosfera da Terra: para muitos é apenas a camada gasosa que envolve o planeta. Sobre outro ponto de vista, poderemos encará-la como uma membrana celular sem a qual a vida na Terra seria impossível. A Atmosfera é uma camada gasosa formada por gás Nitrogênio (76 %), Oxigênio (20,5%) utilizado na respiração celular pela maioria dos seres vivos e 3,5% de outros gases. Este bendito Oxigênio começou a ser produzido há cerca de uns três milhões de anos pelas algas fotossintetizantes que surgiram nos mares. O teor se mantém estável graças às leis do LOGOS (Ele sabia que nós iríamos “bolinar o planeta”) que magistralmente manteve a diversidade de algas e plantas fotossintetizando em parceria com o Sol, aliás, o Sol tem papel de fonte energética num sistema cíclico com estações e outros aparatos inacreditáveis! Lembrem: os verdadeiros pulmões da Terra são os mares, berço das algas. As florestas são também importantíssimas e podem ser encaradas dentre outras funções como um aparelho de ar-condicionado que purifica e regula a qualidade e a temperatura do ar.

Deixando de lado as comparações por mérito, suponhamos que uma floresta pegasse fogo. A combustão consumiria o oxigênio e liberaria gás carbônico que seria reutilizado na mesma escala na fotossíntese cuja taxa aumenta na proporção que o gás é produzido. Aumentando a taxa de fotossíntese, mais gás oxigênio será produzido e o gás carbônico captado passa a fazer parte da matéria vegetal. Esta manutenção dos níveis gasosos na atmosfera é outra tarefa das florestas que assim como os mares participam da manutenção do escudo protetor na atmosfera (membrana): a camada de ozônio. Assim polidamente, a atividade fotossintética das plantas encarrega-se de manter estável o balanceamento dos níveis de oxigênio e gás carbônico atmosféricos.

A Atmosfera, além de possuir o vital oxigênio, constitui um envoltório gasoso que age em conjunto com os oceanos, na manutenção das temperaturas amenas reinantes na maior parte da superfície do planeta. As nuvens refletem para o espaço parte da radiação solar controlando o Albedo (quantidade de energia do sol refletida pela superfície terrestre). Neste processo de formação de nuvens ocorre a absorção de parte desta energia concentrada sobre a crosta. A energia térmica é facilmente absorvida pelas massas de água, ocorrendo evaporação. Nas altitudes esta energia é dissipada ao espaço e com isso ocorrem novas chuvas.

Agora atente para esta descoberta: Na década de 80 os cientistas descobriram que a maior parte das nuvens forma-se graças à atividade das algas planctônicas que vivem nos oceanos e nas grandes bacias fluviais. As algas produzem uma substância chamada dimetil-sulfeto, que reage com o oxigênio atmosférico produzindo ácido sulfúrico. As partículas deste ácido no ar são altamente higroscópicas, atraem o vapor d’água, formando núcleos de condensação em torno dos quais as nuvens se formam. As Algas, portanto, estão intimamente ligadas ao regime de chuvas e conseqüentemente ao clima de todo o planeta. Mas não para por aí, as nuvens transportam muitas coisas e são o veículo pelo qual o enxofre do ácido sulfúrico (H2SO4), passa dos mares (onde é abundante), para os ambientes terrestres. O enxofre faz parte de muitas moléculas de proteína e é essencial aos seres vivos.

Como sabemos, “os seres vivos e o ambiente formam uma complexa rede de inter-relações, e sua compreensão será decisiva para o futuro do planeta!” O EFEITO ESTUFA e a DESTRUIÇÃO DA CAMADA DE OZÔNIO estão preocupando a comunidade científica, pois estão diretamente relacionados à atmosfera da Terra. Claro que o fenômeno do cupinzeiro humano sobre a crosta e os modelos político-econômicos das nações vem destruindo e extinguindo estas inter-relações HARMÔNICAS da natureza, permitindo em progressão geométrica que a transformação desordenada do meio ambiente ocorra em nome do suposto Progresso. Só nos resta observar e tentar amenizar seus efeitos, que já são irreversíveis. Espero que as ações até agora utópicas de preservação do tipo ECO 92, RIO + 10, Protocolo de KIOTO sejam seriamente implementadas, ampliadas e delegadas não só às Nações, mas também ao consenso individual. A utopia divina reside na esperança de que o indivíduo concentre-se em reciclar sua ignorância e aproveitar de sua consciência as atitudes menores de respeito à vida. Como afirmei: É uma questão de sobrevivência. O repente diz tudo: “Os homi- buliro com planeta. O planeta como um cachorro eu vejo. Que quando fica irado com as pulga, se livra delas num sacolejo...”(Música de Raul Seixas).

O Efeito Estufa consiste no aquecimento da superfície terrestre devido ao aumento exagerado de gases como o gás carbônico (CO2) e o metano (CH4) na atmosfera. Estes gases tornam mais deficiente a dissipação de calor tornando as temperaturas mais elevadas como numa estufa. A quantidade destes gases vem aumentando significativamente na atmosfera desde que o homem começou a empregar, em larga escala, a queima de combustíveis fósseis (carvão e Petróleo) para produzir energia e alimentar a economia mundial. Para piorar a destruição de florestas e a poluição dos mares acrescenta mais farinha a massa de desrespeito à vida do planeta e às futuras gerações da fauna planetária. Nos últimos 100 anos a concentração de CO2 aumentou 40% e neste período a população mundial quadruplicou e consigo o aumento de lixo, esgotos e a produção de alimentos como o arroz, determinaram o aumento de metano CH4 resultante da decomposição de matéria orgânica. As conseqüências deste processo são apocalípticas! O nível dos mares está se elevando. A inundação da floresta amazônica aumentará, produzindo vários problemas além de formar uma bacia maior de decomposição que antes era pequena e sazonal...

Saindo da Estufa, vejamos o CINTURÃO de OZÔNIO. A cerca de 50 km de altura, o dito O3, ozônio, forma uma espécie de camada ou cinturão. Esse gás se forma espontaneamente a partir da decomposição do gás oxigênio O2 sob a ação dos raios ultravioleta do sol. Esta camada age na alta atmosfera como um filtro solar, impedindo que os raios ultravioletas incidam densamente sobre nossas cabeças. Esses raios são prejudiciais (câncer de pele) aos seres vivos. Sem esta proteção a vida nos continentes e na superfície oceanos provavelmente não existiria. Estudos avançados mostram que os clorofluorcarbonos são os vilões adicionais. Nos pólos, existem os buracos que foram descobertos juntamente com a observação da mortalidade de inúmeras algas marinhas pelo efeito da radiação ultravioleta. Lembra da importância das algas? Um verdadeiro Xeque no imperialismo e na arrogância humana... As alterações climáticas, o aumento do número de furacões, nevascas, inundações, tempestades dentre outros são o aviso natural e global do virtual sacolejo planetário. Se não cuidarmos de GAIA, seremos apenas um resfriado passageiro. Nós nos aniquilaremos muito lentamente. Portanto cuidar da Terra é cuidar do futuro da humanidade e da Vida como a conhecemos.

Lute por isso!

Mauro Marques Girão
Outubro de 2002