Árvores caídas na floresta





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Árvores caídas na floresta


Por toda nossa floresta, vemos freqüentemente árvores caídas cruzando as trilhas, são de várias espécies e diâmetros diferentes.

Algumas são quebradas pelos ventos do Norte que inesperadamente ocorrem nos verões tempestuosos. Como as frentes frias do Sudoeste são mais freqüentes, é normal que as plantas cresçam ligeiramente tombadas para o Nordeste, sendo, portanto mais resistentes aos ventos do Sudoeste e não aos ventos vindos do Norte e Nordeste. Os ventos vindos do Norte mesmo sendo mais fracos acabam provocando grandes estragos na floresta.

Outras são tombadas ou quebradas pelas “chuvas de vento” vindas do Sul, que devido ao peso da água atuando junto com o vento, multiplicam sua força sobre as árvores. Nestes casos são abertas grandes clareiras na floresta com inúmeras árvores destruídas.

Outras, tomadas por cipós que se entrelaçam entre seus galhos, tombam após dias sucessivos de chuva ininterrupta. A maioria dos cipós tem grande capacidade de retenção de líquidos, multiplicando em várias vezes o seu peso normal nos dias de chuva, este peso provoca muitas das vezes a quebra parcial ou total da árvore. Nem os majestosos jequitibás escapam dessa destruição, muitos deles ficam com sua copa parcialmente ou totalmente destruída, o que acaba provocando a sua morte.

Algumas não chegam a cair, pois são engolidas por figueiras e clúsias, chamadas também popularmente de mata-paus. Elas são semeadas por formigas e pássaros, nascem no alto dos troncos ocos e lançam posteriormente suas raízes ao solo. Com o tempo vão se transformando em troncos e raízes envolventes, acabando por sufocar a hospedeira por completo. Com o passar dos anos o tronco da antiga árvore vai apodrecendo, restando somente o espaço vazio que fazia parte dele.

Além destes, outros fatores são determinantes para morte de uma árvore, como velas acesas junto ao seu tronco, cupins, brocas, sagüis que mordem a casca na estação seca em busca de alimento, e outros agentes naturais que visam o equilíbrio da natureza num ciclo natural de vida e morte.

Mas ultimamente vemos inúmeras árvores caídas com as raízes apodrecidas, e o curioso é que estas não chegaram a atingir o seu desenvolvimento total, parecendo por vezes raquíticas.

O fato é de relevante importância, pois a natureza comprovadamente ácida do solo e o alto teor de alumínio móvel no solo, impedem que as raízes das plantas se desenvolvam, normalmente. Estas acabam perdendo a sustentabilidade e a capacidade de absorção de nutrientes, tornando-as mais suscetíveis a doenças e contribuindo em muito para reduzir seu tempo vida útil.

Estudos feitos pela UFRJ comprovaram um alto grau de acidez do solo na área do Bico do Papagaio afetada pelos desabamentos ocorridos em fevereiro de 96. Apesar do solo ser profundo em alguns lugares, as árvores não foram capazes de desenvolver um sistema radicular capaz de drena-lo e evitar o seu desagregamento, o que contribuiu para a ocorrência do fenômeno de avalanches gigantescas em ambas vertentes do Papagaio e Cocanha. De um modo em geral, o solo do PNT é pouco profundo e formado por grandes blocos de rochas sobrepostos. Este fator contribui para a morte e queda de algumas árvores, pois quando suas raízes encontram as rochas, não tem mais de onde tirar os nutrientes necessários, se enfraquecendo até a queda.

Este pode ser um forte indício de que a natureza está recebendo uma maior concentração de poluentes acidificantes vindas do ar como, o enxofre, iodo, nitritos, brometos, além do dióxido de carbono e outros. Estas substâncias em contato com a umidade na presença do ar formam ácidos de natureza mais forte que os ácidos e as bases orgânicas, das plantas. Ou seja, as plantas têm muita dificuldade para neutralizar ácidos inorgânicos, pois suas valências e, portanto sua potência é muito maior que os orgânicos.

Como em países muito desenvolvidos, podemos dizer que na nossa floresta (PNT) a atividade humana está a alguns anos favorecendo a formação da chamada chuva ácida, e que ela está lavando a nossa floresta.

Isso explica em parte da causa de tantas árvores caídas pela floresta nas últimas décadas.

Erico Dalmau - Trabalha com reflorestamentos ecológicos.
E-mail:ericodalmau@aol.com.br