As Águas do Parque
Erico Dalmau e Eduardo Lage Santos
O Parque Nacional da Tijuca não é só uma grande e importante floresta dentro de nossa cidade. Além de podermos aproveitar tudo que o Parque nos oferece em termos de lazer e tranquilidade, ainda encontramos uma infinidade de córregos, rios, lagos e cachoeiras formando um interessante circuito das águas. Poder passear entre essas águas ouvindo seus sons e sentindo sua pureza, sem dúvida é um privilégio. Além do efeito calmante e agradável, ainda podemos aprender muito sobre como elas nascem e beneficiam a fauna e a flora, tornando-se vital para sua sobrevivência. Porém, nós, que nos beneficiamos delas, também contribuímos de forma negativa poluindo com detritos e lixo, prejudicando não só visualmente, como também os animais que dela dependem. Numa cidade tropical como a nossa, num dia quente de verão, fica difícil resistir ao apelo das águas, principalmente das cachoeiras. É quase impossível resistir a um mergulho. E por que não fazê-lo? As águas são captadas no seu rio principal para o abastecimento de algumas áreas da cidade. Mas pode haver uma divisão mais harmoniosa desses recursos para que possamos aproveitar este mergulho, como há muito tempo é feito no Parque Nacional da Serra dos Orgãos, em Teresópolis, onde piscinas públicas foram feitas justamente para este fim. No Parque podemos encontrar 43 córregos e rios, 2 lagos, 39 cascatas e cachoeiras e ainda 19 fontes. Agora faltam apenas as piscinas públicas para que possamos nos refrescar. Vale lembrar que atualmente o banho é proibido. Porém existem alguns locais onde ele é possível São eles: Paineiras, Cachoeira dos Macacos, no Horto ( uma represa com aproximadamente 5 metros de profundidade, mas completamente assoreada ), cachoeira da subida da Pedra da Gávea, pela estrada do Sorimã, cachoeira da Pedra da Gávea, pela subida da Estrada das Canoas, e, brevemente, a piscina da Cascatinha, dentro da Floresta da Tijuca. |
Águas do Parque
Desde a mudança da cidade em 1567 para às margens do rio Carioca, dois anos após a sua fundação, que as águas da Tijuca são vitais para a sua existência. D. Pedro II, percebendo a importância deste fato, em 1861 baixou decreto protegendo a floresta e seus mananciais.
As florestas são responsáveis pela regularidade e pureza das águas através das raízes das plantas e também das algas que além da oxigenação fazem a retiradas de impurezas e poluentes da mesma propiciando o surgimento de uma fauna específica.
No PNT entre as plantas, além das algas, encontramos avencas e samambaias e outros vegetais hidrófilos como a dorstenia multiformis que varia o formato de suas folhas. Na medicina popular tem vários usos, um deles, é o de acelerar a recuperação de fraturas ósseas, e por isso também é chamada de liga-osso.
Os lírios-do-brejo formam grandes colônias, têm flores brancas e suas sementes são aromáticas como o cardamomo oriental usado na culinária como condimento. Suas flores são mais perfumadas durante a noite, podendo causar dor de cabeça se alguém aspirar seu perfume nos recintos fechados por um longo período.
Um animal que caracteriza a pureza da água é vista na superfície ziguezagueando e se parece com uma baratinha, impossível acreditar que aquela água é potável, mas com toda certeza podemos dizer que sim.
Além desta, outros habitantes aquáticos são encontrados como crustáceos, como o camarão pitu, que são vistos na represa dos Ciganos e chegam a medir um palmo. Há também o caranguejo de água doce que habita os riachos e rios do parque e que em outros lugares pode viver acima dos 1.200 metros de altitude.
Atrás desses crustáceos, vai o mão-pelada ou guaxinim subindo ou descendo os riacho em busca de alimento e com certeza cruzando com as saracuras à procura de grilos ou pequenos animais, que fazem parte da sua alimentação.
Espalhados por várias trilhas nos dias quentes, homos sapiens buscam o líquido precioso para refrescarem-se, onde na maioria das vezes não é permitido o banho. Essa é uma preocupação do diretor do PNT , Pedro da Cunha e Menezes, que procura atender a reivindicações de todos os usuários do parque, inclusive os banhistas, e ao mesmo tempo proteger o patrimônio do parque para que nenhum dano ocorra ao meio ambiente.
Uma das áreas viáveis para a liberação do banho, segundo Eduardo Lage (responsável pelo Terra Brasil), fica próximo a um dos recantos mais bonitos da cidade, a Cascatinha Taunay, descoberta pelos irmãos Taunay em 1817, após a vinda da missão artística de 1816 trazida por D. João VI. O trecho logo abaixo a Cascatinha e após a captação de água poderia ser utilizada para esse fim. Grande parte de suas águas, são captadas pela Cedae, restando ainda um excedente que corre para o poluído rio da Cachoeira.
Seria muito bom se todos os rios e riachos fossem liberados para o banho, mas isso causaria uma contaminação dos mananciais que abastecem a nossa cidade. O ideal seria um equilíbrio onde alguns locais não tão prejudiciais fossem liberados para o banho.
Erico Dalmau