Imbaúba


Sequência de fotos mostrando a relaçao da Imbaúba com as formigas




Tronco sem as formigas


Após algumas batidas no tronco, simulando um ataque a árvore, as formigas saem de pequenos orifícios...


... ocupando todo o tronco







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Imbaúba, ambaíba ou umbaúba

Difícil dizer qual o significado exato da tradução em tupi-guarani destas palavras que dizem respeito a árvores da família das Moráceas, pertencentes ao gênero das Cecrópias. Mas isso pouco importa, pois como veremos, caberia-lhe perfeitamente a explicação que se segue.

“Ubá” é a terminação utilizada para designar madeira para uso em embarcações, já “Imba” pode ser a mistura de duas palavras em Tupi como, por exemplo, “imbira” que significa, fibra têxtil, mais a palavra “iba” acrescentando-se finalmente “ubá”, ou seja, árvore que serve para a fabricação de cordas e canoas, como veremos mais adiante.

Como a língua nativa não era escrita, os primeiros europeus que aqui chegaram, gravaram em seu idioma de origem, aquilo que representaria melhor os sons do idioma local, seja em Português, Francês ou Holandês, além do Espanhol, havendo distorções, muitas das vezes grosseiras de alguns fonemas. Daí surgirem explicações às vezes absurdas para a tradução dessas palavras, que na maioria das vezes tem um significado mais simples que o proposto pelos autores.

Um exemplo disso, é o acréscimo da letra “e” em, Embaetiba, nome de uma localidade, que aparentemente originou-se de, mbaetiba, e segundo Lemos Barbosa, quer dizer, lugar fértil. Outro exemplo é a palavra “macambira”, semelhante a “maçambira” e a “massambará” todas tidas como de origem tupi, dando entender que a escrita pode ter alterado a fonética original, principalmente nas duas primeiras palavras, que se referem a um tipo de bromélia. A terceira refere-se a um tipo de sorgo (capim).

A utilidade da imbaúba para os nativos e caboclos, vai muito além da sua madeira, que era utilizada tanto para fazer jangadas rústicas, como para ascender fogo, conduzir a água através de calhas, lixar madeira, entre outras coisas. Para nossa indústria a madeira pode ser utilizada para palitos de fósforo, fazer papel e em tempos passados já foi usada para fabricar pólvora.

Da fibra da casca da imbaúba, os índios fabricavam as cordas dos seus potentes arcos feitos da madeira da palmeira brejaúba (Astrocarium aculeatíssimum). Quando criança havia em casa alguns destes arcos, uns eram tão fortes que só os nativos que os construíram conseguiam vergá-los. Suas cordas eram bem confeccionadas e extremamente resistentes, para suportar a tanta tensão, quem já praticou este esporte, sabe que lãs duram pouco. Para conservá-la e dar maior resistência, passavam cera da abelha jataí.

A presença da imbaúba numa mata significa que ela é recente, com o passar dos anos ela irá sendo substituída por outras árvores nativas. A “ambaíba” ou “ambaitinga” ou imbaúba branca (Cecropia hololeuca), se destaca na vegetação da Mata Atlântica pelas folhas claras, sua presença é um indicador importante de que há água no local, fato que contribui para a abertura de novos poços. O seu tronco apesar de macio é maciço ao contrário das outras imbaúbas. A cor clara da planta é devida a pelos alvos na superfície da folha, e é um recurso para refletir a luz do sol, principalmente no verão, quando está mais clara, diminuindo assim o calor sobre ela.

As outras imbaúbas em especial a Cecrópia peltata, têm o tronco oco e abrigam colônias de formigas, que acabam protegendo-as de possíveis pragas, se isso é um fato ou não, a verdade é que a sua presença não causa danos aparentes à planta. Essas formigas possivelmente as astecas como são conhecidas, tem uma mordida dolorosa e têm hábitos semelhantes às chamadas “formigas de correição”, que migram de tempos em tempos, em hordas atacando pequenos animais que encontram pelo caminho.

Um outro animal é sempre visto nas imbaúbas, é o bicho preguiça (Bradypus tridactilus), que se alimenta de suas folhas. Esse animal é tão lento, que os nossos movimentos para ele, poderiam ser comparados aos do beija-flor. O seu baixo metabolismo está totalmente adaptado ao seu cardápio, que é quase que exclusivamente à base de brotos de imbaúba. Isso porque dentre as propriedades da planta está a de ser cardiotônica, diurética e dissolvente de afecções sanguíneas. Ficamos induzidos a pensar, que o animal necessita da planta para manter seu metabolismo mais ativo quando se alimenta dela.

Os frutos da imbaúba são doces como o figo quando maduros e podem ser comidos ou usados para fazer vinho. São procurados principalmente por aves, entre elas o jacu e morcegos que dispersam suas sementes nas fezes, e pelas formigas que prestam um grande serviço, levando essas sementes aos buracos de seus formigueiros, onde futuramente nascerão outras imbaúbas.

Além disso, a imbaúba tem muitas outras utilidades, e as vezes me surpreendo principalmente na fabricação de objetos de artesanato e na utilização doméstica em geral. Mesmo assim apesar de sua utilidade, ainda ouvimos freqüentemente dizerem que é um “mato imprestável”.

Fontes:
Pe. A Lemos Barbosa, Pequeno Vocabulário Tupi-Português.
Gonçalves Dias, Dicionário da Língua Tupi.
M. Pio Corrêa, Dicionário Das Plantas Úteis do Brasil

20/5/2005

Erico Dalmau