Sistema de Gestão Ambiental
ISO 14001
Parque Nacional da Tijuca
Curso de Monitores


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IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL
ISO 14001
PARQUE NACIONAL DA TIJUCA
IBAMA
RIO DE JANEIRO

CURSO DE MONITORES AMBIENTAIS

O Curso Monitores Ambientais preparou 26 residentes das comunidades do entorno do Parque Nacional da Tijuca para a realização de atividades de turismo ecológico, manutenção de trilhas e monitoramento ambiental, objetivando sua inserção profissional nesta unidade de conservação, após o processo de seleção.

Uma realização do Instituto Terra Brasil através do convênio 51-02 com o Fundo Nacional do Meio Ambiente para a implantação de Sistema de Gestão Ambiental - ISO 14001 no Parque Nacional da Tijuca - o Projeto ISSO é que é PARQUE

Período: 16 de dezembro de 2002 a 11 de fevereiro de 2003

Dia/horário: 2a, 3a e 5ª feiras, de 9 às 17 horas

Direção do Parque Nacional da Tijuca
Sônia Peixoto - Chefe do Parque Nacional da Tijuca
Celso Junius - Diretor Executivo da Co-Gestão IBAMA/Prefeitura

Direção do Instituto Terra Brasil
Eduardo Lage Santos, Mauro Marques Girão e Diogo De Rossi Chevalier

Coordenador do Projeto
João Pedro M. da Silva

Equipe
Aline N. de Santana, Magali Ruas e Pedro S. Botafogo

Equipe docente
· Aline Pinto Almeida
· Aluísio J. Macedo - PNT
· Benedito Ambrósio Rodrigues Filho - Instituto Vital Brasil
· César Machado Domingues - Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro
· Denise Alves (coordenação pedagógica) - PNT
· Douglas Dester
· Eduardo Lage Santos - ITB
· Flávio da Costa Balesdent - PNT
· Henrique de Castro Guerreiro - PNT
· João Pedro M. da Silva
· Luis Fernando Lopes - PNT
· Marcelo Antonio Marques Prazeres
· Paulo Gentil (coordenação de Ecoturismo) - PNT
· Roberto Huet de Salvo Souza - PNT
· Sylvia Monnerat

CONTEÚDO / METODOLOGIA

Foram realizados seis módulos, abrangendo educação ambiental, patrimônio histórico, ecoturismo, meio ambiente, primeiros socorros, legislação ambiental e relações humanas.

Os conteúdos foram integrados no decorrer do curso, através de metodologia participativa e interdisciplinar.

Abertura do curso - apresentação da Direção do Parque e da equipe do Projeto ISSO é que é PARQUE.

* Senso-percepção;
* Discussão da proposta do curso;
* Oficina Patrimônio, Vida e Preservação;
* Maciço da Tijuca e a evolução urbana;
* Caminhada pela Trilha;
* A História do Parque Nacional da Tijuca;
* Relações humanas;
* Oficina Patrimônio, Vida e Preservação;
* Introdução à educação ambiental;
* Meio ambiente e cidadania;
* A percepção dos diversos atores sociais e os caminhos para a participação;
* Monitoramento de trilhas;
* Manutenção de Trilhas e outras atividades operacionais;
* Monitoramento em unidades de conservação;
* Religião, cultura e meio ambiente;
* Prevfogo, Fiscalização e Segurança;
* Os cuidados com o Parque;
* Turismo e Meio Ambiente Pólos de Ecoturismo - Unidades de Conservação;
* O papel do Monitor em Ecoturismo;
* Condução de grupos na atividade do ecoturismo;
* Orientação e Mapas - Cartografia do Parque Nacional da Tijuca – Espeleologia;
* Elaboração de roteiro ecoturístico;
* Técnica de recepção do Visitante no Parque Nacional da Tijuca;
* Animais peçonhentos;
* Introdução ao Socorrismo;
* Noções de Salvamento e Resgate - simulação na mata;
* Regulamento de Parques Nacionais, Sistema Nacional de Unidades de Conservação, Lei de Crimes Ambientais;
* Manejo Florestal;
* Técnicas de recepção ao visitante;
* Avaliação dos resultados;
* Entrega de Certificados.

Resultados

O trabalho de “Sensopercepção” (1) teve a finalidade de aumentar a atenção dos participantes para os assuntos abordados sendo feito através do estímulo dos sentidos, pois as pessoas trazem consigo as impressões visuais de sua casa, do lugar em que vivem e caminho que costumam percorrer. A sensopercepção auxilia a pessoa a perceber melhor o ambiente em que ela está naquele momento. Busca-se criar um novo padrão visual na impressão mental dos alunos. O objetivo final é fazer com que as pessoas percebam melhor o ambiente emque estão inseridos.

O benefício dessa atividade é a melhoria do aprendizado (2), pelo aumento do interesse dos participantes e também pela atenção voltada para as aulas, através do desligamento dos problemas de cada um.

A Teia da vida exemplifica bem este trabalho, pois permite desenvolver os conceitos fundamentais do meio ambiente. Os participantes, dispostos em círculos, cada um com um tema como ar, sol, floresta, jaqueira, indústria, prédio etc. Com uma bola de barbante, cada tema deve ser associado com outro tem arremessando a bola e assim formar uma enorme teia, mostrando aos participantes como tudo no nosso cotidiano está interligado.

A oficina sobre a “História do Parque Nacional da Tijuca” (3) utilizou como material de apoio a cartilha “O Parque é seu”, desenvolvido pelo Núcleo de Educação Ambiental do Parque. Também foi dado aos alunos, como material auxiliar, o livro “Lazer e Cultura na Floresta da Tijuca”, escrito pela responsável pela coordenação do Patrimônio Histórico e Cultural do PNT, Ana Cristina P. Vieira, possibilitando conhecer um pouco mais sobre história, arte, religião, fauna e flora do Parque. Cada participante teve a chance de falar sobre um momento da história, pesquisado no material recebido.

Uma visita guiada (4) permitiu aos alunos conhecer os principais pontos turísticos do Parque. Os três setores do Parque foram visitados. Os alunos tiveram também informações sobre a história dos pontos turísticos (5), biologia e geografia do PNT.

Foi apresentado aos participantes como é desenvolvido o trabalho de manutenção e monitoração de trilhas. Os alunos tiveram um exercício prático para identificação dos principais problemas de trilhas, puderam aprender e praticar (6) como é feita a manutenção das trilhas do Parque, discutiram princípios de erosão do solo, materiais utilizados nesse trabalho e os procedimentos operacionais desta atividade.

O responsável pela fiscalização e segurança (7) apresentou aos participantes os principais problemas encontrados pela fiscalização. Entre os relacionados foram: oferendas religiosas, comportamento inadequado às normas, caçadores e dificuldade de fiscalizar toda a área do Parque. Informou também como atua e como é distribuído o efetivo de fiscalização do Parque, explicando sobre as funções do técnico ambiental do IBAMA e ressaltou como deve ser feita a abordagem ao infrator, mostrando que o fiscal deve atuar como educador ambiental, antes de tudo. Caso não seja atendido, deve coibir o infrator.

Foram descritas as atividades da Brigada de Incêndio, o PREVFOGO e o treinamento recebido pelos brigadistas, através um vídeo desenvolvido pelo IBAMA para combate a incêndios.

A Direção do Parque apresentou aos participantes o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, as diversas categorias existentes de UC’s e como é o uso de cada uma delas, destacando o conceito de monitoramento e como é feito este trabalho. Também foi ressaltado o conceito de corredores ecológicos, como é realizado este trabalho pela Prefeitura do Rio de Janeiro, entre o Maciço da Tijuca e Maciço da Pedra Branca. Conceituou-se também pesquisa, educação ambiental e manejo. Posteriormente foi demonstrado como tem sido feito o trabalho de manejo florestal do Parque, como o controle das jaqueiras e o desequilíbrio causado por esta espécie introduzida.

Foi utilizado o CD ROM - Pólos de Ecoturismo (8) para definir os conceitos de Ecoturismo, assim como ilustrar aos participantes os diversos Pólos existentes no Brasil. Também foi possível conhecer sobre os diferentes biomas do país, bem como identificar suas localizações exatas no mapa brasileiro. Este CD também foi usado para mostrar a riqueza da natureza e principalmente mostrar o papel do ecoturismo no Brasil. Foi apresentado aos alunos diversos conceitos utilizados na área ambiental. Esta aula despertou uma intensa curiosidade nos participantes pela facilidade de visualizar o que estava sendo explicado e também pela riqueza visual apresentada pelo material do CD.

O tema “Condução de Visitantes” (9) teve como objetivo explicar aos futuros monitores como devem se comportar diante de um grupo de visitantes, desde a recepção do grupo, o material que deve ser levado pelo condutor para a caminhada, como proceder em caso de problemas, orientações aos visitantes, planejamento da trilha, quais informações devem ser dadas aos participantes da caminhada. Logo após estas explicações, o grupo foi dividido em dois e seguiram para trilha da Anhangüera para exercitar tudo o que aprenderam durante a aula.

Foi também demonstrado como deve ser elaborado um roteiro turístico, quais as informações que deve conter este roteiro. Foi dada uma aula inicial para informações sobre roteiros turísticos, a turma foi dividida em 4 grupos para desenvolver roteiros turísticos do Parque Nacional da Tijuca e também como apresentar este roteiro ao turista.

A aula de “Orientações e Mapas” (10) promoveu o aprendizado de cartografia, como leitura de mapas, conceito de latitude e longitude, uso da bússola, enfim informações necessárias aos Monitores Ambientais. Também foram apresentadas aos participantes as principais espécies de mamíferos, anfíbios, répteis, aves e insetos, bem como as principais famílias botânicas, as espécies de maior ocorrência na área do Parque e as plantas exóticas.

A oficina de “Educação Ambiental” teve como objetivo apresentar o papel da educação ambiental na sociedade (11). O tema foi abordado com o auxílio dos alunos. Estes listaram o que entendiam por educação ambiental. Foi abordado como deveria ser a postura de cada um diante de problemas apresentados em cada comunidade e principalmente que cada um é responsável pela multiplicação destes conceitos: respeito, consciência, cumprimento de leis, proteção, relação homem x meio ambiente e tantos outros. Também foram explicados fenômenos como o efeito estufa, diminuição da camada de ozônio e discutidos assuntos como biotecnologia, transgênicos e poluição.

Na oficina “Patrimônio, Vida e Preservação” (12) foram realizadas dinâmicas onde os participantes puderam trabalhar a força, confiança e comunicação não verbal. Para abordar o tema Patrimônio trabalhou-se a preservação a partir do próprio corpo, mostrando que o corpo é o primeiro patrimônio a ser preservado. O exercício prático foi feito através de relaxamento, controle da respiração e estímulo dos sentidos. Procurou-se demonstrar que o patrimônio externo representa a memória de um povo. Depois, cada participante foi solicitado a falar sobre um momento marcante em sua vida pessoal e espiritual (13). Certamente foi um dos trabalhos mais emocionantes, pois alguns alunos relataram experiências muito tristes.

Na oficina de “Religião, Cultura e Meio Ambiente” discutiu-se sobre a necessidade de respeitar e preservar culturas diferentes através de um exemplo ocorrido na época do Brasil Colônia, onde portugueses tentaram impor costumes aos índios, como o uso de sutiã pelas mulheres indígenas. Procurou-se demonstrar como uma cultura tenta dominar a outra, destacando-se a importância do respeito a outras culturas, que representa a memória e hábitos de um povo. Foi discutido então o tipo de abordagem ao visitante que vier ao Parque para realizar ato religioso, mostrando como deve comportar-se o futuro monitor diante de uma situação dessas.

Um treinamento especial sobre “Animais Peçonhentos, Primeiros Socorros e Resgate” (14) foi realizado e os participantes aprenderam a identificar e conhecer os animais peçonhentos e seus efeitos no homem. Aprenderam a realizar um primeiro atendimento em caso de acidente. Conheceram também como devem evitar estes acidentes quando estiverem em trilhas.

Técnicas de primeiros socorros e resgate foram passadas aos alunos que tiveram simulação de resgate (15), atendimento e ressuscitação na mata.

O assunto Legislação Ambiental, normalmente árido e pesado, foi abordado através de oficinas com ótima participação de todos (16). Divididos em três grupos, encenaram situações de agressões ao meio ambiente para posterior discussão em júri simulado (17). O sucesso foi tão grande que decidiram organizar um Grupo de Teatro para levar às escolas o tema preservação ambiental (18).

A avaliação final, tanto do Curso como dos participantes, mostra que os objetivos foram atingidos plenamente.

Os participantes avaliaram (19) entre ótimo (56%) e bom (37%) todo o conteúdo, a não ser pela carga horária, que gostariam maior. Os temas preferidos foram as práticas campo (28%) e Legislação (12,5%). Os instrutores foram conceituados muito bem, com algumas atuações regulares (8%). Em termos da organização, os participantes valorizaram bastante o material recebido e a programação do Curso bem como a organização e o apoio em si. 37,5% consideraram a alimentação regular e 8% péssima.

O desempenho dos participantes no exame final foi muito bom, tendo atingido a média de 7,3 pontos, com desvio padrão de 1,57.

No encerramento, que contou com a presença de representante do Fundo Nacional do Meio Ambiente (20), a Direção do Parque distribuiu os certificados aos participantes (21) ressaltando a importância do trabalho que irão desenvolver como Monitores Ambientais e que os que não forem aproveitados imediatamente, certamente o serão em futuro próximo, em novos projetos (22).

Parabéns a todos,
João Pedro M da Silva
Coordenador